tarde demais (só o bastante pra nós)
tarde demais (só o bastante pra nós)
tarde demais



Vamos brincar que essa vai ser a música de trabalho do álbum "a vida secreta das referências". A capinha ai de cima mistura a capa do álbum que estou fazendo com uma brincadeira com o QR code, aquela tecnologia que quase ninguém sabe pra que serve. O QR ai leva você até meu soundcloud. Ainda não sei se utilizarei o QR no mundo real, já que corre sérios riscos de datar tão rápido quanto aquelas faixas interativas que surgiram em 1995 no disco “stripped” dos Stones e que danificava aparelhos. Se fizer, será a contra capa, obviamente.




Giancarlo Rufatto - "canção da espera ou o fim das horas" (2010)
Hotel Avenida - EP (2009)
Hotel Avenida - Bootleg Rock de Inverno 7 (2009)
HOTEL AVENIDA - Eu Não Sou Um Bom Lugar (single, 2009)
Como se escreve um release sobre si mesmo?
Oi, eu me chamo Giancarlo Rufatto e acabei de completar 30 anos. Eu pretendia me aposentar um pouco antes, já que, aos 29, consegui praticamente tudo que a grande maioria dos artistas independentes desejam, só não consegui ganhar dinheiro, obvio.
Nos últimos 4 anos venho gravando um disco atrás do outro, disco, EP, single, etc - quase todos caseiros e virtuais, claro. Todos contaram com a ajuda de amigos que divulgaram em seus blogs tantos meus trabalhos solos quanto os trabalhos com a Hotel Avenida, banda que durou até 2011 e lançou um single e um EP em 2009 e conseguiu até uma notinha no mundo real - digo, na Revista Rollingstone.
Em 2010 gravei um disco chamado “Machismo”, uma homenagem aos homens da minha família e uma ode à total falta de jeito do homem para com os sentimentos, enfim, aquele papinho do homem atual ser a nova mulher. A gravação deste disco custou 20 reais e rendeu muito, muito mesmo. Lembra no parágrafo de cima que disse ter conseguido tudo que os indies almejam? Então, de 2010 para cá, “Machismo” recebeu elogios e foi citado em diversas lugares legais, incluindo o Senhor F, o Alto Falante e o Scream&Yell – a santa tríade dos jornalismo cultural independente dos anos 00. Alem disso, entrou na listinha de muita gente bacana por ai, um disco que teve aproximadamente 100 copias físicas e passou dos 4500 downloads virtuais.
Em 2011, eu iria me aposentar. Estava tudo certo, comprar uma moto, me fingir de Bob Dylan, me acidentar e sumir, mas tinha um monte de músicas pra gravar. Como o disco de 2010 continuou rendendo matérias legais como no site Osarmenios, resolvi gastar um dinheiro e comprar bons equipamentos de gravação pra melhorar a coisa da produção caseira. Resultado: lancei uma dúzia de canções em formato de singles e um compacto, todos lançados em algum feriado/data especial. O mundo não comporta mais discos cheios, discos cheios são feitos para entrar em listas de discos do ano e no fim do ano, ninguém mais lembra o que ouviu em março e por ai vai.
No meio do caminho, ganhei um daqueles entrevistões que o site Scream & Yell faz de vez em quando – o que fez meus singles ganharem alguma notoriedade devido aos covers que vinham escondidos no lado B. O single #2 vinha (ainda vem) com uma versão para “Ando só” do Engenheiros do Hawaii e supostamente foi aprovada pelo cara que a fez - Humberto Gessinger, bem, pelo menos ele disse que gostou no twitter. Ao mesmo tempo “Compacto” - 3° lançamento de 2011, entrou na lista do Coquetel Molotov "Uma nova Música brasileira está surgindo" com 12 lançamentos gratuitos de 2011 e tem sido elogiando por um monte de gente legal.
Não para por ai: torrando o saco de todo mundo, regravei uma versão rocka pra “it must have been love” aquela mesma do Roxette e de repente todo mundo esqueceu que música era e baixou/ouviu loucamente a canção no soundcloud – com uma mãozinha do Trabalho Sujo. Essa versão é B-side do single de dia das crianças “Fliperama”. O ultimo lançamento, “#5” conta com a canção “Cão Guia” e com a versão de “O menino da Porteira” – aquela mesma creditada ao Sergio Reis, mas que ninguém sabe de quem é.
Provavelmente no natal seja lançado uma coletânea física e virtual contendo somente o lado A destes singles, mais algumas inéditas. Ainda não decidi o nome, a duvida está entre “Tenho mais singles que amigos.” ou “Trilha sonora de novela.”.